Arctic Monkeys faz apresentação madura e com pouco diálogo em SP

Foto por Stephan Solon / Move Concerts
Foto por Stephan Solon / Move Concerts
Foto por Stephan Solon / Move Concerts

Tempo fechado. Garoa fina. Frio. Tudo o que há dias não se via em São Paulo decidiu aparecer de uma vez, justamente na data marcada para acontecer o primeiro show ‘solo’ do Arctic Monkeys no país  – após apresentações anteriores apenas em festivais. Apesar do clima cinzento, a Arena Anhembi ficou completamente tomada nesta sexta-feira (14) por fanáticos da banda britânica, que não se incomodaram momento algum com as gotas de chuva que insistiam em cair no local.

Antes do espetáculo principal, os suecos do The Hives fizeram o show de abertura. Sem novidades, mas cheios de bom-humor e talento, a banda liderada por Pelle Almqvist apresentou o mesmo show mostrado no último ano, durante o Lollapalooza 2013, que promove o disco “Lex Hives”.

As brincadeiras do vocalista foram bem recebidas pelo público acostumado com o silêncio de Alex Turner no palco. “São Paulo vocês me amam? São Paulo vocês me amam?”, perguntava o vocalista do The Hives em português. O sucesso “Tick Tick Boom” proporcionou um dos momentos mais  agitados da apresentação, que foi marcada por alguns problemas técnicos.

Crescidos e cheios de charme

Com apenas cinco minutos de atraso, o Arctic Monkeys subiu ao palco do Anhembi às 23h05. Não houve diálogos ou cumprimentos. Ao entrar em cena, a banda logo deu início a “Do I Wanna Know” – faixa do álbum mais recente, “AM”, lançado em 2013.  Ainda na onda do último disco, ” Snap Out of It” e “Arabella” deram sequência ao espetáculo, que sob chuva fraca, se manteve ‘morno’ no quesito interação, mas não menos empolgante. A mudança de comportamento da banda faz parte da proposta que os britânicos adotaram, e também é consequência do amadurecimento que tiveram ao longo dos anos

A execução das mais clássicas, como “Brianstorm” e “Don’t Sit Down ‘Cause I’ve Moved Your Chair” permitiram, ao menos por parte do público, a ruptura do gelo até então. O palco é um espetáculo a parte. Zero de extravagância e um conjunto de iluminação de cair o queixo – seguindo a lei do menos é mais. No fundo, apenas a imagem que também está estampada na capa do disco “AM” em formato de neon. O necessário para resultar em um show daqueles que vemos em World Stages e sonhamos em assistir pessoalmente.

Em “No. 1 Party Anthem“, Turner, no seu estilo galanteador de ser, pôde mostrar ainda mais a voz amadurecida e sua evolução quanto à postura de palco, ao executa-la apenas no violão. Hoje, ao invés de pulos e correrias, ele opta por movimentos mais leves e olhar concentrado (algumas vezes provocante).  A pose de sedutor não é esquecida em nenhum momento, e o vocalista, a todo instante, está arrumando suas madeixas.

Antes de sair do palco e se preparar para o bis, a banda tocou duas faixas seguidas do álbum “Favourite”: “Fluorescent Adolescent” e “505“.

O retorno foi marcado por mais músicas do “AM”. “One For The Road” e “I Wanna Be Yours” anunciavam os últimos minutos de show, que teve duração de aproximadamente 1 hora e 20 minutos. Nesta última, Alex decidiu arranhar o português e fez um dos únicos discursos da noite. “Obrigado paulistas“, disse o músico antes da última canção “R U Mine”, cantada em coro pelos fãs.

No sábado (15), o Arctic Monkeys se apresenta no Rio de Janeir, no HSBC Arena. A apresentação marca o fim da atual turnê da banda, que desde a sua estreia no meio do ano passado, já passou por diversos países.