"Eu não escuto funk no meu dia a dia", diz Biel em entrevista exclusiva

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Se o funk um dia foi sinônimo de violência e sexualidade explicita, hoje podemos considerar o ritmo, oriundo das comunidades, um atalho direto ao luxo e ostentação. Com a volta do gênero na mídia, num momento em que o sertanejo há anos tomava conta das paradas nacionais, outro estilo praticamente extinto no Brasil foi resgatado: o pop.

Há dois anos a ex-MC Anitta deixava de lado o ‘pancadão’, apresentando ao público o seu “Show das Poderosas”, com um clipe e um arranjo regados de referências internacionais. O resultado não poderia ser outro, se não uma das músicas mais tocadas no país dos últimos anos. Pouco tempo depois outras funkeiras já consagradas como Valesca e Ludmilla, também ousaram adicionar elementos pop aos seus trabalhos, se tornando sucesso absoluto nas rádios, televisão e, principalmente, na internet.

Com diversas representantes femininas, foi a vez dos garotos provarem da mesma fórmula, entrando na onda das grandes produções. MC Gui e MC Guime foram os pioneiros, com a diferença de que permaneceram com o “MC” em seus nomes. Quem também despertou o interesse do público, principalmente das garotas, foi MC Biel.  Aos 19 anos, o jovem do interior de São Paulo deixou de lado a ostentação, dando ênfase à sedução. Apesar de novo, ele chama a atenção pelo o seu porte físico e aparência que se assemelha à do canadense Justin Bieber – artista pelo o qual Biel assume grande apreço e diz ser uma de suas principais referências.

O brasileiro já soma mais de 25 milhões de visualizações no YouTube com os sucessos “Boquinha”, “Pimenta” e “Tô Tirando Onda”. Todo o sucesso fez com que o artista entrasse para o casting de uma das maiores gravadoras do mundo, a Warner Music, passando por algumas mudanças, dentre elas, a retirada do MC em seu nome artístico, se tornando apenas Biel. A nova fase também está marcada pela mudança em sua música. O seu novo single “Demorô”  marca a entrada do ídolo teen ao mercado pop e já conta com mais de 500 mil visualizações na internet.

Em entrevista ao Portal da Música, Biel falou sobre a sua nova fase, a entrada para a gravadora, seus ídolos e planos para o futuro. Confira:

Como a música entrou na sua vida?

A influência musical na minha vida veio sem sombra de dúvidas através do meu pai. Ele tem uma empresa de eventos há 33 anos e fazia shows, bailes. Quando não tinha babá pra cuidar de mim, eu ia com ele para os shows. Tudo isso acabou me trazendo o apreço  pela música.

E em que momento o funk despertou o seu interesse?

Quando eu comecei a ter mais liberdade e fiquei mais velho. Eu fazia eventos e chamava a ‘rapaziada’ toda, cobrava ingressos. Até que chegou o momento que eu comecei a lidar mais com o microfone. Quando eu vi, já estava escrevendo música e subindo no palco.

Quais foram as suas influências dentro do funk?

Estamos falando de uns dois anos atrás. Eu fui muito influenciado pelo o que estava ‘estourado’ nessa época. Mc Rodolfinho, MC Guime, MC Pocahontas. Mas eu tento buscar mais influências de fora, coisas que o público ainda não viu.

E quais são as influências fora do funk?

Eu escuto muita coisa de fora. Ficaria falando até amanhã (risos). O funk mesmo eu nem escuto no meu dia a fia. Nacional eu ouço bastanta Racionais, Jorge e Mateus, O Rappa. Lá de fora Wiz Khalifa, Lil Wayne, Justin Bieber… sou bem eclético.

Falando nisso, e essa história de ser considerado o Justin Bieber brasileiro?! Hoje ele está lutando bastante para limpar a imagem dele na mídia devido alguns problemas. O que você acha dessa comparação? 

Ele não está lutando não. Ele tá rico! (risos) Brincadeira! Acho que ele fez isso pra não ser mais considerado aquele menininho. Acho que foi uma estratégia de marketing. Sou fã dele! Como eu disse, escuto bastante as suas músicas e ser comparado com ele, por menor que seja a comparação, eu acho muito legal. Vamos trabalhar bastante para que um dia ele me escute também. (risos)

Em “Demorô” você apresentou um som bem mais pop de tudo o que já tinha gravado. O que podemos esperar daqui pra frente?

Vocês podem esperar muita coisa diferente do que vinha sendo trabalhado. “Demorô” foi um cartão de visitas. Estamos preparando o disco novo agora e vamos incluir backing vocals, bailarinos e banda nos shows. Têm muita coisa diferente. Músicas mais lentas, mais românticas, com um texto mais trabalhado. Até reggae vai ter no disco.

E essa mudança partiu de você mesmo ou foi ideia da gravadora?

Eu sempre gostei muito de sertanejo, de pop. Eu entrei no funk, mas poderia ter entrado de cara em qualquer um desses gêneros. É porque a inspiração que veio e a oportunidade de produção na época foi de funk. Mas o que eu mais tenho no meu público são pessoas que dizem: “Odeio funk, mas adoro o Biel”. Acho que não temos que ter uma identidade definida. Temos que experimentar de tudo.

E com a entrada na Warner Music, o que muda a partir de agora?

Eu sempre tive uma liberdade imensa. Comecei tudo sozinho, sempre fazendo o que achava certo. Agora eles cuidam disso, até porque entendem bem mais do que eu.

A retirada do “MC” também foi ideia da gravadora?

Isso é para que a gente consiga atingir um público que ainda não temos. Infelizmente o “MC” no nome cria uma barreira na vida do artista. E já que para muita gente é complicado entender isso, decidimos mudar.

Você está trabalhando no EP, mas já pode falar algo sobre o novo CD?

Nós estamos fazendo as duas coisas ao mesmo tempo: divulgar o EP trabalhando o disco. Já fui pra estúdio e gravei músicas inéditas. Serão doze faixas no CD, e algumas são composições minhas. Quero tentar algumas convidar algumas pessoas também. Já levei a ideia para o estúdio e estou aguardando.

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